Posts Tagged ‘vitória’


Para aqueles que não estiveram acordados até às cinco da manhã. Uma bela peça de oratória, principalmente a última parte.(desta vez, tenho a certeza de que o discurso está completo. Peço desculpa aos que viram os dois posts anteriores que este veio substituir)

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Esta madrugada, já o sol despontava, fui-me deitar convicto de que tinha presenciado um daqueles momentos em que a História passa por nós e nos marca.

A América mudou, efectivamente. Apenas 40 anos após o discurso em que Martin Luther King afirmou ter tido um sonho e da assinatura do Civil Rights Act, os americanos elegeram um presidente negro.

O facto, só por si, já era histórico. Mas o que verdadeiramente impressiona nesta vitória de Barack Obama (“um magricela com um nome esquisito”, como o próprio se definiu há quatro anos) é a sua extensão.

mapaO mapa eleitoral norte-americano é tradicionalmente um imenso rolo vermelho (a cor dos Republicanos) com pinceladas a azul (Democratas) nos extremos leste e oeste. Mas desta vez não. Barack Obama venceu em Estados tradicionalmente republicanos e o novo mapa eleitoral dá-lhe uma legitimidade ainda maior.

Também impressionante é a diferença no voto popular. Obama teve mais de 62 milhões de votos, contra os mais de 55 milhões obtidos por Jonh McCain.

Quando analisados os resultados das sondagens à boca das urnas, vê-se que o Presidente eleito venceu esmagadoramente nos novos votantes, bem como nos mais novos. E nas mulheres. E  nos negros. E nos hispânicos.

Esta é uma vitória transversal, uma vitória que uniu a América, que dá um novo alento a uma população atingida pela guerra, pela crise económica e por uma grande crise de confiança.

Uma vitória que é também a de um movimento. Barack Obama conseguiu criar um movimento de participação cívica como há muito não se via e que lhe dá uma responsabilidade acrescida. Conseguiu que cidadãos normalmente alheados da política se envolvessem; agora não os pode defraudar.

Num país em que o actual presidente teve menos votos populares do que o seu oponente há oito anos, quando conquistou a Casa Branca pela primeira vez, os sete milhões de votos de diferença conseguidos por Obama sobre McCain conferem-lhe outro tipo de responsabilidade. O homem e o seu discurso não foi apenas eleito, foi plesbicitado.

No seu discurso de vitória, Obama não falou na primeira pessoa do singular, utilizou sempre a do plural. Nós foi a palavra chave e nela englobou os 55 milhões que votaram no candidato derrotado, quando disse que os tinha ouvido e que também necessitava da sua ajuda para ultrapassar os grandes desafios que se colocam áquele que vai ser o 44º Presidente dos Estados Unidos da América.