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Sindicatos e governo reuniram-se para de decidirem que iriam avançar com reuniões de agenda aberta. Em conformidade, as organizações dos professores decidiram suspender as greves regionais que estavam previstas para esta semana.

Pouco tempo depois – apenas meia-hora – os governantes dizem aos jornalistas que a suspensão do processo de avaliação nunca esteve nos seus horizontes. Os sindicalistas, estupefactos, afirmam que “agenda aberta” quer dizer que tudo está em discussão.

Num primeiro momento, confesso que julguei estarmos perante um caso de má comunicação entre pessoas que não se podem ver. Mas alguém me lembrou que estamos à porta das férias de Natal.

E foi nisso que o governo jogou. Levou os sindicatos a desconvocar as greves e a reduzir assim o impacto que estas teriam depois da última manifestação e da maior greve de sempre dos professores.

Estou mesmo a ver o diálogo na primeira das reuniões de agenda aberta:

– Então, senhor secretário de Estado, combinámos reunirmo-nos sem agenda e o senhor vai para a comunicação social dizer que estava tudo em discussão menos a suspensão da avaliação?

– Caros senhores, que querem?

– Então acordamos uma coisa e o senhor depois não o cumpre?

– Não fui o primeiro, pois não?

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Acabou agora mesmo o Pró e Contras da RTP 1 sobre a avaliação dos professores. No canto direito, Mário Nogueira, dirigente da Fenprof. No canto esquerdo, Jorge Pedreira. Mal o combate começa tornam-se claras as estratégias dos contendores. Nogueira pretende acabar rapidamente o combate por KO. Já Pedreira aposta em chegar ao 12º round e tentar vencer aos pontos.

Surpresa das surpresas… A estratégia de Pedreira foi aquela que melhor assentou na sala do programa televisivo. O secretário de Estado pouco teve de falar, que os presidentes dos conselhos directivos chamados a intervir arrancaram os primeiros aplausos da sala ao afirmar que “todos temos de saír deste processo de cara limpa”. A mensagem foi clara.

O processo de avaliação dos professores não tem de ser suspenso porque está – na prática – parado. Há que encontrar novas expressões e tanto o governo como os sindicatos têm de ter capacidade para recuar e chegar a um entendimento.


Mais uma vez, professores de todo o país fizeram sua a baixa lisboeta para fazerem ouvir os seus protestos. Depois da manifestação de 8 de Março – em que cada um tinha as suas razões e por isso se chamou marcha da indignação – o alvo agora é o processo de avaliação.

Não sou professor, mas convivo de muito perto com professores (a minha mãe, a mãe do meu filho…) para ter uma ideia bem concreta do esforço exigido quando esta profissão é levada a sério.

Daí perceber o sentimento derrotista que ataca aquela classe profissional quase como uma pandemia.

Mas é-me difícil aceitar que esta fosse das poucas profissões onde quem conseguia entrar para os quadros (de escola ou de zona pedagógica) tinha garantido o topo da carreira. E é-me difícil aceitar porque vi muita mediocridade andar à solta, vi muita gente com pouco ou nenhum empenho.

Mas uma coisa é pugnar pela necessidade de avaliação dos professores e outra completamente diferente é concordar com o modelo que o governo quer aplicar.

É errado que um professor seja avaliado pelos resultados dos alunos. Dir-me-ão que os agrupamentos estabelecem os seus próprios parâmetros e que consequentemente se evitam as desigualdades inerentes aos diferentes meios onde se trabalha. É este um dos argumentos do Ministério da Educação.

Mas é um falso argumento, porque os Agrupamentos têm directivas rigidas das várias DREs e porque as intepretações que lhes podem dar são isso mesmo: interpretações.

E lembre-se que a maior parte dos que são avaliados não são os professores titulares, pelo que pode ser gente que queira – ou tenha – de vir a mudar de agrupamento.

Estou convicto de que os critérios deveriam ser nacionais e não deviam ter no resultado dos alunos um dos seus pontos fundamentais. Há outros: Capacidade pedagógica, participação activa na vida da escola…

E quanto aos avaliadores? Deverão ser os colegas que trabalham lado-a-lado com os avaliados? Também aqui acho que não, que se deveria criar uma bolsa de avaliadores que percorreria as escolas de determinada zona geográfica. Este poderia ser o trabalho dos mais velhos, daqueles que agora são obrigados a reformar-se aos 65 anos e que já há muito que não conseguem aguentar o trabalho lectivo.

Mas o mais revoltante deste sistema de avaliação são as quotas impostas.

Uma última questão. Portaram-se muito mal os sindicatos ao terem assinado um entendimento com o Governo sobre a avaliação e a não o estarem a cumprir agora.

Dizem que o fizeram para salvar o ano lectivo passado. Habilitam-se a que o Ministério da Educação assine agora outro acordo… apenas para fazer voltar os professores para a escola.