Quando disse que se podia interromper a democracia por seis meses para se fazerem reformas, Manuela Ferreira Leite estava obviamente a ironizar. Mas fê-lo com aquela cara de pau e de uma forma desajeitada. Não acentuou a ironia e o que resultou foi uma declaração infeliz sobre a interrupção da democracia.
Nas últimas semanas, a líder do PSD tem feito uma série de intervenções públicas, depois de um prolongado silêncio. E tem-no feito quase sempre olhando para a câmara mas apontando para o seu próprio pé.
Criticou o sistema judicial dizendo que os polícias faziam de palhaços…
Queixou-se que a sua mensagem na passava e disse que não deviam os jornalistas a fazer a escolha dos temas. Os jornalistas que trabalham nos media; que têm por profissão mediar entre a torrente de informação e os seus consumidores.
Durante meses, só Manuela Ferreira Leite percebia porque é que não falava mais vezes. O coro dos que dentro do seu partido clamavam contra o silêncio da líder do PSD ia-se avolumando.
Agora com o chorrilho de asneiras que se repetem, esses mesmos que conseguiram que Manuela Ferreira Leite largasse o esfíngico silêncio devem pôr as mãos à cabeça e perguntar-se, como Juan Carlos, “por que non te callas?”



