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Com 13 anos, o meu filho faltou hoje às aulas. Como milhares de outros por esse país fora. Quando lhe perguntei as razões do protesto, disse-me que era contra a ministra da Educação. Não adiantou muito mais, claro. No seu dia-a-dia não tem grandes razões de queixa. A escola funciona e o corpo lectivo é de qualidade.

Foi na onda, como tantos outros. Quando tinha os meus 15 anos também ajudei a fechar escolas em dias de greve. Tinha uma consciência cívica e política bem mais forte do que a do M. Era mais velho e os tempos eram outros.

Então como agora, os governantes disseram que havia instrumentalização e forças estranhas às escolas a trabalharem.

Então como agora, as razões dos que protestam podem não ser as mais fundamentadas. Mas que não haja dúvidas. Só havendo descontentamento efectivo é que se consegue levar os alunos a encerrar escolas – não digo a fechá-las a cadeado, mas a encerrá-las por falta de comparência.

É evidente que para os jovens estes protestos são também uma festa. O meu apareceu-me em casa a pedir uns trocos para almoçar com os colegas e a dizer-me que a praça central da cidade estava a encher-se de estudantes que confluiam dos vários estabelecimentos lectivos.

Disse-mo com um brilho nos olhos e revi-me nesse entusiasmo. Pedi-lhe só que me explicasse o porquê e que tivesse cuidado. Protestasse mas não entrasse em conflitos nem em vandalismos.

E como é que o governo reagiu a esta acção dos estudantes? Fugindo para a frente, disparando em todas as direcções, espalhando insinuações de instrumentalização dos alunos pelos professores.

Sinceramente não acredito. Vejo muito mais uma organização política juvenil de um qualquer partido da oposição a fazê-lo. E estão no seu direito. E só pega, como disse, se os miúdos estiverem descontentes. Francamente, não vejo aqui qualquer conspiração, antes um direito e – direi mais – um dever. Coisa muito diferente, e condenável, é atirar ovos e tomates a membros do executivo. A quem quer que seja.

Para isso, bastam uns quantos mais “radicais” ou “instrumentalizados”, para utilizar a terminologia da 5 de Outubro. Caso muito diferente é fecharem-se escolas por falta de comparência dos alunos.

A equipa ministerial da Educação é hoje uma carta fora do baralho. Não consegue já estabelecer pontes com os professores, está em vias de o não conseguir fazer com os alunos. Ficam com poucos interlocutores.

O primeiro-ministro não vai – não pode – remodelar a equipa. Como não o fez com Correia de Campos na Saúde. Tem de esperar que Maria de Lurdes Rodrigues perceba que está a mais. Ela acabará por – como Correia de Campos – intuir que a reforma que lhe é tão grata só terá condições de avançar com o seu sacrifício.

Cheira-me que a ministra da Educação vai já passar o Natal de férias.

E desejo que o próximo titular não coloque na sua equipa Valter Lemos, a verdadeira eminência parda da política educacional dos últimos anos.

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