Posts Tagged ‘avaliação dos professores’


Sindicatos e governo reuniram-se para de decidirem que iriam avançar com reuniões de agenda aberta. Em conformidade, as organizações dos professores decidiram suspender as greves regionais que estavam previstas para esta semana.

Pouco tempo depois – apenas meia-hora – os governantes dizem aos jornalistas que a suspensão do processo de avaliação nunca esteve nos seus horizontes. Os sindicalistas, estupefactos, afirmam que “agenda aberta” quer dizer que tudo está em discussão.

Num primeiro momento, confesso que julguei estarmos perante um caso de má comunicação entre pessoas que não se podem ver. Mas alguém me lembrou que estamos à porta das férias de Natal.

E foi nisso que o governo jogou. Levou os sindicatos a desconvocar as greves e a reduzir assim o impacto que estas teriam depois da última manifestação e da maior greve de sempre dos professores.

Estou mesmo a ver o diálogo na primeira das reuniões de agenda aberta:

– Então, senhor secretário de Estado, combinámos reunirmo-nos sem agenda e o senhor vai para a comunicação social dizer que estava tudo em discussão menos a suspensão da avaliação?

– Caros senhores, que querem?

– Então acordamos uma coisa e o senhor depois não o cumpre?

– Não fui o primeiro, pois não?

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De acordo com as notícias, Maria de Lurdes Rodrigues está-se a preparar para recuar no caso da avaliação dos professores. Os sinais interpretados pelos jornalistas chegam no mesmo dia em que um despacho da 5 de Outubro clarifica o novo Estatuto do Aluno, nomeadamente quanto à justificação das faltas.

Estes dados surgem depois daquela que foi a semana mais negra para a titular do Ministério da Educação, com os professores a manifestarem-se consecutivamente e os estudantes a paralisaram os estabelecimentos de ensino.

Como escrevi aqui, Maria de Lurdes Rodrigues estava a ficar sem interlocutores. O seu trabalho reformista no sistema de ensino estava em risco pela sua postura intransigente.

Ministra e secretários de Estado tudo fizeram para desprezar o descontentamento e a mobilização de professores e estudantes. Mas a voz que vinha da rua era mais poderosa do que alguma vez suposeram.

Neste recuo – a ver vamos – está um dedo de José Sócrates, que teve mesmo de ouvir António Costa, o seu número 2, fazer avisos à navegação.

A estratégia mais óbvia era a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues. A exemplo do que aconteceu com Correia de Campos, a sua saída serviria para diminuir a contestação e para continuar com uma mesma política mas com outra estratégia de comunicação.

Mas Maria de Lurdes Rodrigues é uma ministra com um peso político bem maior do que o que tinha o antigo titular da Saúde. E a sua política reformista é também mais forte. Além de que a luta contra o corporativismo cala fundo em vários sectores da sociedade.

José Sócrates terá assim optado por aconselhar a sua ministra a mudar de estratégia. Em vez de se fazer um ponto de situação no final do ano lectivo, juntam-se desde já os diversos intervenientes para fazer uns ajustes no processo de avaliação e, assim, diminuir o poder de mobilização de uma classe inteira que estava disposta a enveredar por outras formas de luta que poderiam colocar em risco o funcionamento das escolas.

Em vez de mudar de ministra, mantém a reformadora e dá-lhe a oportunidade de subir alguns pontos de popularidade.

O problema é que talvez já seja demasiado tarde. Só o saberemos quando ouvirmos a ministra a falar do seu recuo. Só o saberemos quando a ouvirmos dizer o porquê. A a forma como o fará.


Uma das particularidades culturais do Minho são os lenços de namorados, bordados pela raparigas em honra dos seus amores, coloridos e com um português muito “de ouvido”. Vila Verde é uma terra que soube fazer dos lenços um produto regional e hoje são conhecidos como os lenços de Vila Verde.

Num dos últimos protestos dos professores – não sei em qual, que  foto chegou-me sem legendas nem autoria – lá estava este magnífico lenço de namorar.

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