Mais uma vez, professores de todo o país fizeram sua a baixa lisboeta para fazerem ouvir os seus protestos. Depois da manifestação de 8 de Março – em que cada um tinha as suas razões e por isso se chamou marcha da indignação – o alvo agora é o processo de avaliação.
Não sou professor, mas convivo de muito perto com professores (a minha mãe, a mãe do meu filho…) para ter uma ideia bem concreta do esforço exigido quando esta profissão é levada a sério.
Daí perceber o sentimento derrotista que ataca aquela classe profissional quase como uma pandemia.
Mas é-me difícil aceitar que esta fosse das poucas profissões onde quem conseguia entrar para os quadros (de escola ou de zona pedagógica) tinha garantido o topo da carreira. E é-me difícil aceitar porque vi muita mediocridade andar à solta, vi muita gente com pouco ou nenhum empenho.
Mas uma coisa é pugnar pela necessidade de avaliação dos professores e outra completamente diferente é concordar com o modelo que o governo quer aplicar.
É errado que um professor seja avaliado pelos resultados dos alunos. Dir-me-ão que os agrupamentos estabelecem os seus próprios parâmetros e que consequentemente se evitam as desigualdades inerentes aos diferentes meios onde se trabalha. É este um dos argumentos do Ministério da Educação.
Mas é um falso argumento, porque os Agrupamentos têm directivas rigidas das várias DREs e porque as intepretações que lhes podem dar são isso mesmo: interpretações.
E lembre-se que a maior parte dos que são avaliados não são os professores titulares, pelo que pode ser gente que queira – ou tenha – de vir a mudar de agrupamento.
Estou convicto de que os critérios deveriam ser nacionais e não deviam ter no resultado dos alunos um dos seus pontos fundamentais. Há outros: Capacidade pedagógica, participação activa na vida da escola…
E quanto aos avaliadores? Deverão ser os colegas que trabalham lado-a-lado com os avaliados? Também aqui acho que não, que se deveria criar uma bolsa de avaliadores que percorreria as escolas de determinada zona geográfica. Este poderia ser o trabalho dos mais velhos, daqueles que agora são obrigados a reformar-se aos 65 anos e que já há muito que não conseguem aguentar o trabalho lectivo.
Mas o mais revoltante deste sistema de avaliação são as quotas impostas.
Uma última questão. Portaram-se muito mal os sindicatos ao terem assinado um entendimento com o Governo sobre a avaliação e a não o estarem a cumprir agora.
Dizem que o fizeram para salvar o ano lectivo passado. Habilitam-se a que o Ministério da Educação assine agora outro acordo… apenas para fazer voltar os professores para a escola.





