Da avaliação dos professores – II

Posted: Novembro 17, 2008 in ensino, país, política
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De acordo com as notícias, Maria de Lurdes Rodrigues está-se a preparar para recuar no caso da avaliação dos professores. Os sinais interpretados pelos jornalistas chegam no mesmo dia em que um despacho da 5 de Outubro clarifica o novo Estatuto do Aluno, nomeadamente quanto à justificação das faltas.

Estes dados surgem depois daquela que foi a semana mais negra para a titular do Ministério da Educação, com os professores a manifestarem-se consecutivamente e os estudantes a paralisaram os estabelecimentos de ensino.

Como escrevi aqui, Maria de Lurdes Rodrigues estava a ficar sem interlocutores. O seu trabalho reformista no sistema de ensino estava em risco pela sua postura intransigente.

Ministra e secretários de Estado tudo fizeram para desprezar o descontentamento e a mobilização de professores e estudantes. Mas a voz que vinha da rua era mais poderosa do que alguma vez suposeram.

Neste recuo – a ver vamos – está um dedo de José Sócrates, que teve mesmo de ouvir António Costa, o seu número 2, fazer avisos à navegação.

A estratégia mais óbvia era a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues. A exemplo do que aconteceu com Correia de Campos, a sua saída serviria para diminuir a contestação e para continuar com uma mesma política mas com outra estratégia de comunicação.

Mas Maria de Lurdes Rodrigues é uma ministra com um peso político bem maior do que o que tinha o antigo titular da Saúde. E a sua política reformista é também mais forte. Além de que a luta contra o corporativismo cala fundo em vários sectores da sociedade.

José Sócrates terá assim optado por aconselhar a sua ministra a mudar de estratégia. Em vez de se fazer um ponto de situação no final do ano lectivo, juntam-se desde já os diversos intervenientes para fazer uns ajustes no processo de avaliação e, assim, diminuir o poder de mobilização de uma classe inteira que estava disposta a enveredar por outras formas de luta que poderiam colocar em risco o funcionamento das escolas.

Em vez de mudar de ministra, mantém a reformadora e dá-lhe a oportunidade de subir alguns pontos de popularidade.

O problema é que talvez já seja demasiado tarde. Só o saberemos quando ouvirmos a ministra a falar do seu recuo. Só o saberemos quando a ouvirmos dizer o porquê. A a forma como o fará.

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