Beto morreu ontem aos 42 anos. O seu desaparecimento foi, pois, um desperdício.
Não gostava particularmente do seu reportório mas o seu timbre apaixonava-me. Ouvi aquela voz meio rouca pela primeira vez numa pequena televisão do bairro dos pescadores na Ilha da Berlenga. Estava na altura a trabalhar n’ “A Capital” e fui fazer um trabalho para um suplemento de fim-de-semana que acabou com o furo de que o ICN (hoje também B) ia lançar uma vasta operação de controlo populacional das gaivotas naquela ilha.
Passei três dias naquele paraíso despido e privei com o responsável pelo parque de campismo e com a sua mulher, que tinha a cargo o posto de primeiros socorros. Demo-nos bem e fomos convidados (eu e o fotógrafo Carlos Alberto) para partilhar um jantar que se transformou numa festa com mais uns amigos.Veríssimo e Marieta explicaram-me a história dos pescadores que dormiam nas grutas, falaram-me do que é viver 11 meses por ano numa pequena ilha…
E ficaram com um brilhozinho nos olhos quando me falaram do seu filho. Foram buscar uma cassete VHS e apresentaram-me o Beto. Nunca me hei-de esquecer daqueles momentos e já passaram 15 anos.
Caros Veríssimo e Marieta,
Duvido que venham a ter conhecimento destas palavras, mas deixem-me exprimir o meu mais profundo pesar pela vossa perda.
Um abraço sentido,
Jorge



